quinta-feira, 15 de julho de 2004
Perigos da (des)informação
O facto da oposição criticar o governo é uma atitude normal, faz parte do seu estatuto de opositor. Tem essa missão ingrata de procurar descobrir falhas no desempenho governativo, de seguir atentamente os passos do poder, ir até aos limites da pesquisa para obter uma nota que possa reverter em arma de arremesso contra quem governa. A oposição denuncia as falhas e tenta cativar o eleitorado. É o seu contributo à democracia se for desempenhado de forma inteligente, construtiva e não demagógica.
Neste papel da oposição reconheço, por vezes, algum mérito. O que me choca verdadeiramente é ver alguma Comunicação Social tomar partido nas posições assumidas pela oposição, desvirtuando por completo a sua função que é de informar tal como a notícia se apresenta. Quando sai fora da sua função natural a Comunicação Social está a prestar um mau serviço, a deturpar a informação e a pôr em causa a própria credibilidade noticiosa.
O poder do “IV Poder” deixou de haver! Perdeu-se a substância para dar guarida ao menos importante! Um escândalo passou a ser o alimento predilecto, os leitores são desassossegados, a sociedade condena, todos têm direito a julgar, e alguma Comunicação Social vai incendiando cada vez mais a chama até mais não poder. Nunca se falou e escreveu tanto para dizer tão pouco.
Depois que o Dr. Durão Barroso aceitou o convite para presidente da Comissão Europeia a oposição entrou em paranóia e a Comunicação Social a dar a cobertura. De um momento para outro um terramoto político aconteceu em Portugal. Ainda ontem ouvia-se a Antena 1 (estação emissora do Estado) que o Dr. Durão Barroso corre o risco de não ser presidente da Comissão Europeia, depois de já ter perdido o cargo de Primeiro-Ministro de Portugal. Alegava o jornalista que, na votação marcada para o próximo dia 22, no Parlamento Europeu, os deputados do grupo PSE (Partido Socialista Europeu) ameaçam não votar no português. Esta “inventona” e outras atitudes assumidas pela estação do Estado, fazendo o papel de oposição rasca em todo o processo que envolveu o convite honroso ao Dr. Durão Barroso e à eleição do Dr. Santana Lopes, é bem o exemplo do que acontece mantendo um socialista à frente da TV do Estado. É verdadeiramente o que se chama “dar tiros nos próprios pés”. Agradeça-se ao Ministro da tutela.
Votem os socialistas contra ou a favor, o Dr. Durão Barroso será presidente da Comissão Europeia durante os próximos cinco anos “2004/2009”. Os jornalistas deviam saber isto como deviam saber que o ex-Primeiro-Ministro português não ia aceitar um cargo sem ter a certeza absoluta que o mesmo estava garantido. Que a oposição lance para a opinião pública esta e outras atoardas ainda podemos compreender, razões estratégicas para ver como reagem os menos atentos, agora vir a Comunicação Social divulgar este tipo de notícia é frustrante e desolador.
Também esta semana, o futuro Primeiro-Ministro, Dr. Pedro Santana Lopes foi contemplado com muitas (des)atenções por parte da mesma Comunicação Social. A mais hilariante foi a de que o líder do PSD estava em dificuldades para formar Governo. A notícia era repetidamente dada como se o Dr. Santana Lopes andasse a pedir “esmolas” por todo o País para “arranjar” um Ministro quando, nesta como noutras situações de constituição de elenco governativo, todos sabemos que a oferta é sempre muito superior aos lugares disponíveis. A questão de fundo está no saber eleger a pessoa que melhor perfil apresenta para desempenhar determinado cargo.
A confiança na pessoa para o lugar indicado é da inteira responsabilidade do Primeiro-Ministro. Nem a oposição sabe as razões e muito menos a Comunicação Social. Noticiar sem saber é especular e o resultado de tais procedimentos só pode redundar na descredibilização. Choca-me verdadeiramente a notícia especulativa. Pode uma deturpada notícia estar a cometer um grave crime quando, ao invés, podia conter toda a informação real dos factos para que pudesse prestar uma informação devidamente fundamentada e credível.
Estamos nos primeiros anos de século XXI com uma Comunicação Social cada vez mais perdida entre o que é notícia pela notícia e a desinformação. Vêem mais interesse no “nivelado por baixo” que as notas positivas do progresso. Há muito que se diz que no atraso de Portugal na Europa está alguma desinformação veículada pela Comunicação Social portuguesa. Um pesadelo que o “IV poder” terá que resolver para evitar que o “verdadeiro poder” caia na rua, na brutalidade e na desconfiança. Até um dia…
quinta-feira, 13 de maio de 2004
Guerras da hipocrisia e da estupidez
Acredito que como eu milhares de portugueses que combateram em África sintam o mesmo desprezo, a mesma solidão sobre aquele grande cemitério que todas as guerras apresentam. Não acredito em heróis da guerra e considero uma autêntica hipocrisia condecorar uns e esquecer outros.
Não suporto o exibicionismo militar e pior ainda acho primário condecorar militares que andaram simplesmente a passear com cravos no cano da G3, nos dias de Abril de 1974. Quando se atribui uma condecoração a um militar por ter participado na operação destinada a apear o governo, em ambiente de exuberância popular, todos os militares que foram obrigados a combater nas matas africanas, contra inimigos poderosos e treinados para matar, mereciam as mais altas condecorações.
Todos sabemos que a guerra é estúpida, mortal, impiedosa e que há momentos em que ou matamos ou somos mortos. Naqueles aterradores instantes de combate cerrado, com as metralhadores e as armas automáticas a queimar todos os cartuchos, as granadas a rebentar, com tudo a funcionar à mais alta tensão, cercados pelo inimigo, todas as nossas forças humanas reagem como último momento das nossas vidas. Naqueles momentos de minutos que parecem horas todos são soldados rasos, todos defendem todos, todos são iguais. Não há heróis, nem actos de bravura nem de coragem, há uma reacção e força colectiva inimagináveis.
Quantos crimes cometeram os militares nos campos de batalha? Alguém saberá dizer o que faziam os militares, de qualquer exército de qualquer país do mundo, aos inimigos que capturavam, ou que faziam os inimigos aos militares quando os capturavam? Sabem os portugueses quantos militares foram mortos em África e como foram mortos? Será que há registo de quantos mortos ocorreram na população civil, nas forças inimigas, de populações ceifadas por balas ou esmagadas por bombas?. Sabem os madeirenses quantos civis foram mortos quando militares vindos de Lisboa dispararam sobre tudo o que se mexia nas encostas de Machico, no Abril da Revolução da Madeira?
É inquietante, pois é! É por tudo isto e muito mais que não gosto da falar da guerra. Nem reconheço autoridade para falar da guerra a quem nunca esteve na guerra. Dizem disparates, comentam levianamente, tiram ilações incrédulas, tudo de forma tão irresponsável como se a guerra fosse um jogo de futebol ou uma hilariante conversa de café. Por favor não falem da guerra, não faço juízos da guerra, se nunca lá estiveram.
Os episódios que se passaram no Iraque bem poderão ser umas gotas do que se passa em todas as guerras. Em todas as guerras cometem-se barbaridades que quem nunca lá esteve, por muito que queira, jamais consegue chegar à realidade. Os militares americanos e ingleses estão a ser estupidamente acusados por uma classe de mancebos que, na sua grande maioria, nunca esteviram no teatro da guerra nem nunca viveram os momentos de vida ou de morte.
Não sei dizer se a destruição do World Trade Center, no dia 11 de Março de 2001, que matou milhares de civis, está na base do ataque americano ao Iraque. Não sei dizer. Mas de certeza que se algo semelhante tivesse acontecido nalgum país europeu ou mesmo em Portugal, não íamos ficar simplesmente vergados aos lamentos. O governo dos EUA fez e está a fazer aquilo que a maioria dos americanos pediram e pedem. Não se fique com a ideia que o presidente dos EUA tomou a liberdade isoladamente de invadir o Iraque ou que o povo americano alguma vez iria perdoar o presidente de deixar-se ficar perante o ataque que a América sofreu.
A “guerra santa” dos muçulmanos contra o acidente vem dos primeiros anos da humanidade. O Médio Oriente sempre foi palco de conflitos, muitos antes de haver a nação americana. Atribuir aos EUA a culpa das guerras nesta zona do globo é estar de má fé, ser ignorante ou tomar partido da ideologia que combate a nação mais rica do mundo. Na guerra do Vietnam, os EUA movimentaram 8 milhões 744 mil militares, registaram-se 58.135 mortos e foram gastos cerca de 150 mil milhões de dólares.
Estes números são, na verdade, impressionantes, mas ainda assim nada que se compare aos cerca de 100 milhões de pessoas mortas nas guerras do século passado. Na I guerra mundial, cerca de 60 % dos mortos eram militares, enquanto que na II guerra mundial mais de 50 % dos mortos eram civis.
Obviamente que estamos em presença de autênticas barbaridades. No entanto, ao consultarmos o observatório do Banco Mundial, vamos verificar que, todos os anos, morrem cerca de 700 mil pessoas em desastres de viação, mais de 10 milhões de feridos e que, devido a todos estes acidentes na estrada, são gastos, por ano, mais de 53 mil milhões de euros. Na Europa civilizada, à qual pertencemos, morrem por ano nas estradas, em média, 42 mil pessoas e mais de 1,6 milhões ficam feridos. E, neste quadro negro da viação, Portugal é quem lidera nesta “matança” nas estradas.
A mensagem que gostaríamos de aqui deixar era a seguinte: Por favor não falem da guerra, esqueçam. Tomem mais atenção à guerra ou guerras estúpidas que eventualmente podem andar à vossa volta e que ferem e provocam mazelas, nalguns casos, bem mais graves que as deixadas pela guerra. Os heróis destas guerras são tão ou mais estúpidos e ignorantes que os condecorados das guerras perdidas.
quinta-feira, 8 de abril de 2004
Surpresas com certezas negativas
Encaixa, aqui, muito bem a frase “cada macaco no seu galho”. Todo aquele que se convence que sabe tudo, que tem soluções para tudo, está de tal maneira obcecado pelo seu ego que não se apercebe que anda a surpreender pela negativa. Ser nobel não confere um saber tudo sobre tudo, por muito que saiba daq
uiloque sabe, e quando pensa que sabe tudo tão bem como aquilo que melhor sabe fazer acaba por borrar a sua própria qualidade de cidadão.
Manifestar publicamente o desejo para que os eleitores votem em branco, ou simplesmente não votarem, é estarem a condenar a democracia, abrir caminho para um estado de ghetto tal como viveram durante dezenas de anos os países do leste da Europa, com as doutrinas escravisadoras do comunismo soviético de má memória. É estar solidário com os campos de concentração, com os trabalhos forçados, fechar as janelas do país para que as populações não possam ver p que se passa noutros países, como ainda hoje acontece em Cuba.
Surpresa também foram as sugestões do antigo presidente da Republica portuguesa ao colocar a hipótese de serem abertas conversações com os terroristas como via para solucionar os cobardes actos do terrorismo. Surpresa que não surpreende tanto assim. Porque nunca se conheceram certezas no trajecto político de Mário Soares, a nível dos pelouros governamentais que exerceu, ainda que se tenha distinguido nas lides partidárias da área dos socialistas e da esquerda.
O mérito político do antigo presidente da Republica está na esquerda reivindicadora, ameaçadora e pouco prodente em muitas áreas do social. Teve a sua época, ganhou cravos vermelhos e colheu apoios das foices e dos martelos, mas em épocas revolucionárias, no meio das indicisões e confusões. Os socialistas espanhóis Gonzalez e Zapateiro têm uma visão do mundo e do socialismo que choca com a visão dos socialistas portugueses.
Neste emaranhado de sabedoria anda o actual líder dos socialistas da Região. Anda a fazer “presidências abertas”, a surpreender pela negativa e a confirmar a certeza que não basta ter o poder de um partido para abordar os problemas sérios da sociedade. È uma leviandade, uma certeza de incompetência, ouvir-se um líder que sempre saiu derrotado nas campanhas eleitorais, fazer acusações ao presidente do Governo Regional em termos que surpreendem quem o ouve e que vem reforçar a ideia que a política de “alta competição” só está ao alcance de um restrito numero de políticos.
Não podemos concordar com aqueles que dizem que “se queres a paz, faz a guerra”. Os nossos inimigos devem ser tratados como nossos inimigos e não como um amigo que, como nós, quer a paz, luta pela paz. Apelar ao voto em branco (ou a não votar), sugerir o diálogo com os terroristas ou simplesmente andar por aí a falar de cor, são ataques inadmissíveis à democracia.
Vamos ter este ano dois actos eleitorais (as europeias e as regionais), e a mensagem que se deixa é que todos gozem desta liberdade de votar em democracia, de exercer o seu direito, não se deixando influenciar por aqueles que, pelo que dizem, nunca terão ficado agradecidos pela vivência democrática. São surpresas com certezas negativas pelo mal que fizeram e querem continuar a fazer.
quarta-feira, 7 de abril de 2004
A confusão é sempre perigosa
Quando assim é, do mal ou menos, é menor o acto que o crime. O governo de George W. Bush confessou que se enganou (ou foi enganado?). Admito que estas desculpas públicas à comunidade internacional valem pouco mas é sempre uma atitude de assunção do “ erro cometido”. E isto faz-me lembrar rapidamente de outros tantos e mais graves crimes cometidos contra comunidades inteiras por outras potências que sempre negaram terem participando em hediondos crimes.
O Papa João Paulo II e seus antecessores sempre condenaram as guerras, a pobreza, a fome e as mortandades. Os Sumos Pontífices sempre apelaram à paz, ao fim da opressão comunista, às atrocidades contra inocentes perpetradas por regimes totalitários na Europa e no mundo e raramente foram ouvidos. Apelar à paz mas logo há quem venha dizer que para chegar à paz é preciso que haja guerra.
Acredito no princípio que todos somos diferentes, todos somos tristes e alegres, como acredito que a tristeza pode deixar de ser dor para ser inteligência e lucidez como acredito que a alegria não é bem o bem que muitas vezes se procura interpretar. Estas formas de ver a vida mora em nós, em todos nós, pobre e ricos, diferentes crenças religiosas católicos, diferentes graus de cultura ou diferentes cor de pele.
O que os EUA fizeram no Iraque (apesar de tudo derrubaram uma ditadura implacável) é muito menos grave que os crimes cometidos pelos comunistas e outros poderes totalitários na Europa e no mundo. Ser atingido por uma bala podemos ter morte instantânea, morrer aos poucos, massacrados pela tortura psicológica será muito pior. A prisão soviética era o próprio país, como eram prisões todos os antigos estados da URSS. Apesar de tudo, a ditadura do Estado Novo (1926 – 1974) em Portugal, sob as directrizes de Salazar, nunca atingiram o massacre da alienação mental que se verificou nos países do leste.
Procuro nestas ditaduras, nestas invasões e apelos dos Papas respostas para os que ainda hoje defendem os ideais do comunistas, as caducas ideias socialistas e as velhas teses dos centristas procurando recuperar a sociedade burguesa, do capataz e do trabalhador sem eira nem beira. Não entendo como é que se pode defender causas perdidas na política. Como é que partidos políticos se apresentam a eleições para eleger o presidente do Governo Regional e os seus líderes não assumem a sua candidatura a Chefe do Governo da Região. Tudo isto é para mim e para muitos milhares de cidadãos uma enorme confusão.
Há uma desordem apresentada como ordem. Uma terrível confusão que leva as pessoas a se convencerem que a liberdade é ter direito e ter poder, mesmo que sem nada saber. A televisão tem de facto a veleidade de mostrar aquilo que cada líder partidário anda a fazer, de como aborda os assuntos e das suas capacidades. Basta-me saber o que pretendem para facilmente ficar a saber que só por ingenuidade dos eleitores podem ainda receber votos. Admito mesmo que muitos dos votos que estes atrelados partidos da oposição obtém são de eleitores para quem o voto é ter o direito de votar e pouco mais.
Sucede que a confusão é sempre perigosa, perturba e faz barulhos, e dá a possibilidades de os menos dotados aparecerem e darem nas vistas que doutra forma nunca conseguiriam chegar a lado nenhum. A confusão alimenta a incompetência e quando surgir a chamada assunção das responsabilidades já os “desordeiros” vão longe, estão bem instalados da vida. Se todos os governos comunistas-socialistas procedessem como o governo capitalista dos EUA, reconhecendo as suas falhas, estaríamos a viver num mundo melhor.
Entretanto, o acontecimento político do ano na Madeira são as eleições de 17 Outubro para eleger o presidente do Governo Regional para os próximos quatro anos. Até agora, quando já estamos em plena campanha eleitoral, apenas é conhecido um candidato assumido à presidente do Governo que é o candidato do PSD, Dr. Alberto João Jardim. Dos outros partidos ainda não se sabe quem são os candidatos à presidência ou não têm candidato ou estão a adiar para causar surpresa de última hora. Um silêncio comprometedor.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2004
Dêem razão ao Dr. Alberto João
Não restam dúvidas que Portugal está a ser vítima de uma Constituição comuno-socialista cozinhada e aprovada no período da revolução fortemente influenciado pela revolução dos cravos de 1974. A Constituição Portuguesa não foi submetida à aprovação dos portugueses, não houve referendo, e é lamentável que estejam os portugueses sujeitos a directivas constitucionais que não foram sufragadas. A actual Constituição de Portugal tem, na sua essência e como tal, a mais implacável dureza da ditadura, tal como a Constituição do Estado Novo.
Custa-nos ainda mais a aceitá-la quando estamos a ser confrontados com um Referendo (com uma pergunta extremamente confusa) sobre a futura Constituição Europeia. Isto é, são os portugueses chamados a se pronunciar, a votar, sobre a Constituição Europeia, quando primeiro deviam de ser chamados a intervir sobre a Constituição do seu próprio país.
Dêem razão ao Dr. Alberto João quando diz que Portugal tem que libertar-se das teias constitucionais montadas pelos partidos comunista-socialista. Não é possível levar Portugal para diante com uma Constituição que está desfasada e armadilhada pelas ideologias comunistas e socialistas. Não é possível levar um país como Portugal para a linha da frente da União Europeia quando tem partidos, como o PCP e toda a esquerda política, que votou contra a entrada de Portugal na CEE/UE. Acabe-se, de uma vez por todas, com as paletas coloridas por um falso pincel e estranhos pintores e reconheça-se que Portugal não pode progredir com fantasias, embustes e barreiras ideológicas de esquerda.
Tenho para mim que o Dr. Pedro Santana Lopes não foi feliz quando convidou para o governo alguns ministros, nomeadamente o Dr. Henrique Chaves. Um cidadão que toma posse, perante o presidente da República e perante o país, numa quarta-feira e que no sábado seguinte abandona o governo não é digno de fazer parte de um governo. Seja qual for o motivo que possa argumentar, seja qual a sua posição, comete sempre uma atitude negativa e reprovável. Esta é mais uma lição que não basta a “confiança”e a “amizade” para se confiar na defesa de princípios, da lealdade e mais ainda da competência. Ministros como o Dr. Henrique Chaves não interessam a nenhum país nem merecem sequer fazer parte da lista dos confiáveis, por muita argumentação que queira apresentar.
Dêem razão ao Dr. Alberto João quando insiste numa 4ª. República e numa nova Constituição sem as quais Portugal dificilmente conseguirá libertar-se do cerco montado pelos comunistas e pelos socialistas, autores confessos da Constituição da República. As pontuais alterações que têm sido feitas na Constituição não são mais que minúsculos remendos num pantanal legislativo criado ao sabor dos desejos dos comunistas e dos socialistas.
Portugal está prisioneiro da Constituição, do crescente e efectivo “poder”corporativo que mina e corrói os legítimos órgãos democráticos do poder, das confederações sindicais e patronais, das associações e organizações de esquerda, de uma comunizada estratégia corrosiva que actua livremente contra a estabilidade política, social e económica do país. Veja-se, tão só, o que se passa no ensino, na economia, na cultura e na área laboral. Em todas as manifestações lá estão as bandeiras da foice-e-martelo, os hinos da esquerda revolucionária, os “deita-abaixo” e os discurso “cacequistas”.
Dêem razão ao Dr. Alberto João quando frontalmente denuncia estas e outras forças de oposição que continuam a minar a estabilidade em tudo quanto esteja ou se pretenda que venha a funcionar bem. A coberto de uma Constituição feita à medida da esquerda politiqueira os derrotados nas eleições e os incapazes de ter o voto da maioria dos eleitores, vão fomentado as vozes de protesto, levantando as bandeiras vermelhas, criticando a torto e a direito, muitas vezes sem saberem bem o que se está a passar.
Dêem razão ao Dr. Alberto João quando diz que a 3.ª República já bateu no fundo, deu o que tinha a dar, e que o país só conseguirá andar para a frente quando uma nova Constituição entrar em vigor e der resposta aos desafios que a Europa e o mundo continuam imparavelmente a desafiar.
Faça-se, urgentemente, as reformas de que Portugal necessita. Já basta de ver Portugal, sucessivamente, na cauda da Europa!
quarta-feira, 27 de novembro de 2002
Perigos da impunidade
Gosto da paz, mas não de uma paz fingida. Admiro os que defendem os indefesos mas arrepia-me ver utilizar-se povos sem forças para reagir a troco de combater o inimigo que se encontra algures. Sempre ouvi dizer que quando a esmola é muita o povo desconfia e a prova está nos anúncios da solidariedade à tangente com o perigo que mora mesmo ao lado. Mais grave ainda é tolerar a impunidade quando os actos cometidos merecem punição.
Nos últimos tempos o mundo está a ser metralhado com o que há de mais cruel e desumano. São atentados que causam milhares de mortes onde nunca ninguém suspeitaria que alguma vez viesse a acontecer (EUA, Bali, Afeganistão, Israel, Palestina, Moscovo e por ai fora), é o combate ao terror da droga, ao branqueamento de capitais, à prisão de agentes policiais, as fugas ao fisco, ao descrédito que está a pôr o futebol em Portugal de pés para a cova e a impunidade que parece impor regras às autoridades quando devia ser ao contrário.
Que mundo e que país são estes onde vivo? Onde o delito é ou não punido de acordo com uma longa justificação sem nada para justificar. Não sou pessimista nem me deixo facilmente levar pela onda da fácil difusão de factos considerados graves, das bem urdidas afirmações, mas tenho enormes dificuldades de ficar de braços cruzados ante uma enorme vitrina de casos de atentados que ocupam as primeiras páginas dos jornais em todo o mundo.
Estão a pegar nas coisas sérias como quem pega numa bola de trapos e resolve dar um chuto para longe. A forma como está a ser tratada a questão “Casa Pia”, em Lisboa, mais parece que naquele centenário estabelecimento funcionava um santuário de “violação de menores” com a complacência de toda a gente. Mete-se no mesmo saco toda uma instituição e indirectamente os muitos milhares de jovens que ali passaram. Decide-se e esfrega-se as mãos de contente quando se consegue apanhar todos os pingos que possam dar notícia ainda mais negra, abrem-se os microfones à denúncia e faça-se acusações em directo, insista-se nas interrogações ao Primeiro-Ministro sobre o escaldante tema e obrigue-se o presidente da República a dizer o que sabe e não sabe.
É da crueldade que as pessoas gostam (!) e quanto mais forte e agressiva for a notícia mais as pessoas se deliciam, ficam com a deixa para falar durante todo o dia. A desgraça dos outros ajuda a apagar os nossos males, parece ser este um refrão do fado português. Gosta o povo português do desalinho, do politicamente incorrecto, porque assim tem tempo para fazer o essencial e saber quanto baste. Aguenta-se enquanto se pode, depois quem vier atrás que feche a porta.
Ouvi o Dr. Alberto João Jardim dizer, vai para catorze anos, que com o sistema de ensino que Portugal tem nunca iremos a lado nenhum. Mais tarde outros políticos apanharam a boleia na tentativa de tirarem dividendos partidários. Os anos foram passando e o Estado português foi cada vez mais investindo milhões de contos na Educação, abrindo mais escolas e criando melhores infra-estruturas para professores e alunos. O resultado de todo isto é dado pela OCDE num relatório internacional divulgado esta semana: O ensino em Portugal é dos piores a nível de eficácia.
Sendo a educação peça basilar para a formação dos jovens, ao apresentar tão drásticos resultados, será que se pode esperar muito mais daquilo que nos é apresentado diariamente? Que ensino, que professor, que escola? Quem está em causa e porquê? Aquilo que disse nos finais dos anos 80 o presidente do governo Regional da Madeira terá sido desconsiderado mas o “mesmo” que vem agora no relatório da OCDE dizer, custa a pôr em causa.
Há quem tenha dificuldades em enfrentar os factos, prefira ignorar e viver das aparências, das luzes artificiais, mas tudo acaba por vir ao de cima, muitas das vezes com uma carga de tormentas que podiam ser evitada se a intervenção e correcção tivessem sido feitas na altura em que foram detectados os primeiros sintomas negativos.
As crises não vêm do nada, as guerras não acontecem por acaso, tudo tem resposta e devem ser consideradas todas as razões. O que se está a passar em todo o mundo não é um acidente de percurso. Grave é quando a causa está à nossa frente e não vemos ou não somos capazes de ver!
domingo, 10 de novembro de 2002
Ingénua esperança dos “fora de tempo”
Passam a vida a contestar. Alguns têm tiques decorativos e de fachada outros colocam-se ao lado dos que vivem “fora de tempo” na ingénua esperança de que, virando do avesso, vão conseguir resolver todos os problemas. Os paladinos do inconciliável sentem dificuldades em viver numa sociedade responsável, esgotam as suas energias nas ilusões subalternizadas e mantém-se enfiados em lutas frenéticas ora pressurosamente encavalitados em esquerdas e direitas ora perdidos nas próprias causas que defendem.
Não há dúvida que os derrotados tentam sempre encontrar desculpa para as suas falhas, são incapazes de ver que o mal feito ficou a dever-se à sua incapacidade. No desporto, raro é o jogo onde o derrotado não atira as culpas para os árbitros ou para o sistema (que ninguém sabe explicar o que é!). Na política, o combate é mais vasto e talvez por isso também mais aberrante, por vezes bárbaro e estúpido, onde o achincalhar toma, por vezes, atalhos da pior espécie. Nunca percebemos bem porque razão é que os políticos na oposição recorrem às mais insolentes verborreias para dizer que o governo está a proceder mal nisto e naquilo.
Diga-se, sem rodeios, onde está o governo a proceder mal, aponte-se os defeitos, ponha-se a claro todas as dúvidas, fundamente-se a tomada de posição para que os cidadãos não fiquem com essa terrível ideia de que os “políticos são uns oportunistas”, “não fazem nada”, “são uns incompetentes”, “uns travestidos”, “só sabem dizer mal uns dos outros”, são todas observações que se ouvem no dia a dia. A bancada parlamentar do PS na Assembleia da República, formada por muitos ex-Ministros e secretários de Estado do governo anterior, é o mais vergonhoso modelo de toda esta presunção. Em todas as suas intervenções atiram-se contra o actual governo acusando-o de uma má política nas finanças, no ensino, na saúde, na ciência, no planeamento, no desporto e em quase tudo que está sob a tutela do governo.
Ora, o actual governo (PSD/PP) ainda não teve tempo de fazer quase nada, de pôr em pratica com resultados evidentes as suas propostas, porque em cerca de seis meses de governação tem estando envolvido em tapar megalómanos “buracos financeiros e de má gestão” do governo PS, tem sido chamado a intervir, dentro e fora do País, nomeadamente aos centros de decisão em Bruxelas, obrigado que está a solucionar graves e complexas situações em sectores vitais da economia portuguesa que o governo socialista deixou num caos sem precedentes.
De todos os quadrantes vem a preocupação sobre o inconcebível esvaziamento em que caiu Portugal nos últimos oito anos, perdendo conceitos básicos que eram trunfos da nossa reputação histórica, e vêm agora os socialistas dizer, com a santa ingenuidade de
uma esperança que destruíram enquanto estivem no governo, que o governo PSD/PP está a contrariar o rumo que o governo PS tinha encetado. Nem querem aceitar as
críticas que são feitas pela União Europeia ao nosso País nem, ao menos, querem empenhar-se na resolução dos graves problemas que criaram.
O escândalo que está a passar-se com as forças policiais vem, em grande parte, da má política seguida pelo governo PS. O mesmo acontece com a Justiça, onde os anteriores ministros socialistas nunca puseram em prática as medidas tantas vezes anunciadas. Igual vergonha está a passar-se com o Europeu 2004, onde o governo socialista gastou milhões de euros para trazer para Portugal o campeonato mas não fez as contas dos custos que acarretaria para os portugueses e agora é o que se vê. O fim do juro bonificado foi por culpa do governo PS e não do governo PSD/PP. O governo socialista prometera pagar a diferença da bonificação da taxa aos bancos e não cumpriu na totalidade ao ponto dalgumas instituições de crédito serem firmes a informar o actual governo, mal tomou posse, ou recebiam a diferença da taxa bonificada, cuja dívida do governo já ultrapassava os cem milhões de contos, ou deixavam de dar bonificação. Foi o que aconteceu.
Mas tudo isto seria porventura encarado de outra forma se os culpados fossem politicamente educados, honestos. A leviandade tem os seus limites e não foi por “obra do destino” que a maioria dos portugueses pôs o PS fora do governo. Mais grave ainda é estarmos à assistir diariamente a uma doentia e ingénua esperança da oposição na Assembleia da República acerca do futuro do País sob o modelo socialista e comunista. Nem lampejos de esperança, acreditem!
